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  • Anderson Luis da Silva

Quando tudo começou!

Atualizado: Mai 4

Quando tudo começou fiquei atônito. O povo em multidão tomando as ruas por dinheiro de pão. Justo, a maioria não tinha, a maioria precisaria. Quem sou eu para dizer que não?

Quando tudo começou a dimensão mudou de rumo, o povo pobre continuou a labuta enquanto novas caras pintadas reclamavam o seu protagonismo.

Quando tudo começou vi a turba encher a rua em verde e amarelo, como se brasileiro fosse somente quem compactuava do discurso torpe daqueles que ali dançavam.

Quando tudo começou vi o congresso orquestrar um golpe, vi vice efetivando o corte na carne já marcada desta nação.

Quando tudo começou vi juiz agindo de má fé, o ministério público midiatizando suas teses, promotores explicando como é, e de quem é.

Quando tudo começou a dúvida parecia coisa de ficção, o querer incitar rebelião, pôr em risco o futuro da nação.

Quando tudo começou vi ascensão de político soturno, vi alertas de personalidades espalhadas pelo mundo, vi o desespero de parte da nação. Ele não!

Quando tudo começou vi parentes, amigos e inimigos, todos gritando pelo mito em evidente desinformação.

Quando tudo começou vi um coiso ser eleito, o feito ser desfeito, o futuro regredir à sombra do passado. Mau pleito!

Quando tudo começou vi em meu espelho os olhos da tristeza, o fazer materializado na incerteza do que haveria de ser. Indo!

Quando tudo começou continuei vendo família, amigos, colegas de trabalho e outros bichos apoiando o tal anjo do mal.

Aí veio o vírus, globalizado como a tal da economia, transformou-se em pandemia aqui chegando de avião.

O vírus veio pela riqueza, mas em sua natureza ele não faz distinção, infecta rico, infecta pobre, sendo base ou oposição.

O coisa-ruim desdenhando do que vinha, chamou isso de gripezinha, morre o povo mas se salva a economia. Ele dizia!

Os uniformizados, tal qual os jogadores da seleção, empenharam suas ignóbeis razões em defesa da nação, ou não.

Enquanto isso, UTI lotava, oxigênio faltava, intubação crescia, faixa etária caia, cloroquina não dava, ivermectina matava, cemitério faltava e ele continuava a dizer que não.

Assim vimos família, amigo, colegas de trabalho, queridos desconhecidos, indo embora sem ar, afogados pela ignorância nascida da ganância de quem não sabe governar.

Quando o mal ascende, bate suas asas sobre toda essa gente, não importa se está nu de pobreza ou coberto de mansão.

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