top of page

Quando tudo começou!

13 de abr. de 2021
2 min de leitura

Atualizado: 27 de ago.

Quando tudo começou, fiquei atônito. O povo, em multidão, tomando as ruas por dinheiro de pão. Justo: a maioria não tinha, a maioria precisava. Quem sou eu para dizer que não?

Quando tudo começou, a dimensão mudou de rumo. O povo pobre continuou na labuta, enquanto novas caras pintadas reivindicavam o seu protagonismo.

Quando tudo começou, vi a turba encher as ruas de verde e amarelo, como se brasileiro fosse somente quem compactuava com o discurso torpe daqueles que ali dançavam.

Quando tudo começou, vi o Congresso orquestrar um golpe, vi um vice efetivando o corte na carne já marcada desta nação.

Quando tudo começou, vi um juiz agindo de má-fé, o Ministério Público midiatizando suas teses, promotores explicando como é e de quem é.

Quando tudo começou, a dúvida parecia coisa de ficção; o querer, incitação à rebelião, capaz de pôr em risco o futuro da nação.

Quando tudo começou, vi a ascensão de um político soturno, vi alertas de personalidades espalhadas pelo mundo, vi o desespero de parte da nação. Ele, não!

Quando tudo começou, vi familiares, amigos e inimigos, todos gritando pelo mito em evidente desinformação.

Quando tudo começou, vi um coiso ser eleito, o feito ser desfeito, o futuro regredir à sombra do passado. Mau pleito!

Quando tudo começou, vi em meu espelho os olhos da tristeza, o fazer materializado na incerteza do que haveria de ser. Indo!

Quando tudo começou, continuei vendo familiares, amigos, colegas de trabalho e outros bichos apoiando o tal anjo do mal.

Aí veio o vírus, globalizado como a tal da economia; transformou-se em pandemia, chegando aqui de avião.

O vírus veio pela riqueza, mas, em sua natureza, não faz distinção: infecta rico, infecta pobre, seja da base ou da oposição.

O coisa-ruim, desdenhando do que vinha, chamou aquilo de gripezinha.

— Morre o povo, mas salva-se a economia! — ele dizia.

Os uniformizados, tal qual os jogadores da seleção, empunharam suas ignóbeis razões em defesa da nação. Ou não.

Enquanto isso, UTI lotava, oxigênio faltava, intubação crescia, faixa etária caía, cloroquina não dava, ivermectina matava, cemitério faltava, e ele continuava a dizer que não.

Assim, vimos familiares, amigos, colegas de trabalho e queridos desconhecidos indo embora sem ar, afogados pela ignorância nascida da ganância de quem não sabe governar.

Quando o mal ascende, bate suas asas sobre toda essa gente. Não importa se está nua na pobreza ou coberta por uma mansão.

 
 
 

Comentários


  • b-facebook
  • Twitter Round
  • Instagram - Black Circle
bottom of page